
No Japão, nesta segunda-feira (1º), protestos foram registrados em Tóquio e Osaka contra a chamada iniciativa das “cidades natais africanas”, apresentada pela Agência de Cooperação Internacional (Jica) durante a Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento da África, realizada na semana passada. O projeto designou quatro cidades japonesas como parceiras de países africanos - Kisarazu (Nigéria), Sanjo (Gana), Nagai (Tanzânia) e Imabari (Moçambique) - com foco em cooperação cultural e programas educacionais.
A medida, no entanto, tem sido alvo comentários que viralizaram nas redes sociais e em veículos de imprensa africanos, com alegações de que o acordo incluiria, além do intercâmbio cultural, vistos especiais e facilidades migratórias para africanos se mudarem ao Japão.
O prefeito de Kisarazu, Yoshikuni Watanabe, uma das cidades que participam do programa, negou essa versão. O secretário-chefe do gabinete do governo japonês, Yoshimasa Hayashi, também negou essa medida, afirmando que “não há intenção de promover a imigração ou emitir vistos especiais para os países parceiros, como algumas informações sugeriram. Essas alegações não são baseadas em fatos”.
Apesar das explicações, as prefeituras envolvidas relataram milhares de ligações e mensagens de protesto contra o projeto. Nas ruas, durante esta segunda-feira, manifestantes exibiam cartazes pedindo “fim da imigração em massa” e defendendo a necessidade de “proteger o povo japonês”.
As tensões refletem um debate mais amplo na política japonesa: o equilíbrio entre a necessidade econômica de mão de obra — diante de uma população em rápido envelhecimento — e a pressão de setores nacionalistas e conservadores que defendem maior controle nas fronteiras.
Em 2024, o Japão registrou cerca de 360 mil novas entradas de estrangeiros, um número recorde. Esse fluxo crescente já vinha alimentando reações políticas e sociais, intensificadas após episódios polêmicos de 2021, quando a morte da refugiada cingalesa Wishma Sandamali em um centro de detenção gerou forte backlash contra as autoridades de imigração e levou ao arquivamento de um projeto de lei semelhante.
Agora, o novo plano do governo reacende a divisão no país: de um lado, empresas e setores produtivos pressionam por mais trabalhadores; de outro, cresce o movimento popular contrário à imigração em larga escala, refletindo um tema sensível e recorrente na sociedade japonesa.
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Sócrates
